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Monday, September 22, 2008

O começo da migração judaica à Amazônia

Dando prosseguimento às comemorações de sessenta anos da fundação do Estado de Israel, o Centro Israelita do Pará (CIP) encerrou nesta quarta-feira um ciclo de palestras ministradas por judeus estudiosos na história hebraica na Amazônia. A última palestra tratou do começo dessa migração.

A primeira sinagoga na Amazônia data de 1824, inclusive em Belém é sediada a mais antiga do Brasil em funcionamento. Ou seja, mesmo antes disso, já existia presença hebraica na Amazônia, porém era de uma migração escassa.

Marrocos
Quase todos eram procedentes do Marrocos, a maioria instalou-se no interior do Pará e do Amazonas, principalmente nas cidades configuradas como entrepostos comerciais, primeiro das chamadas drogas do sertão - posteriormente da borracha - como Cametá, Baião, Alenquer, Santarém, várias outras.

Em Cametá, data-se a construção da sinagoga no ano de 1848, prédio que por sinal, registra-se que foi arrastado pela força das águas do rio - provavelmente assoreamento. Registra-se também o anti-semitismo, onde açougues chegavam a anunciar carne de judeu, ameaças de morte eram feitas - mas nunca cumpridas - todas as ameaças eram interpretadas com sarcarmos pela mídia.

Eram pobres e não falavam português
Esses migrantes eram quase todos pobres e na maioria dos casos, não falava português. Primeiramente vinham, no geral, em famílias inteiras. Para sua acolhida, contavam com famílias judias que já morassem por aqui. Dedicaram-se com mais destaque ao comércio de porta-a-porta, como ambulantes, caxeiros e de outras miudezas.

Claro, nem todos os elementos da comunidade prosperaram na mesma proporção e nem com a mesma agilidade: cada um tem seus próprios níveis de empresariedade. A diferença dos migrados judeus para todos os outros eram basicamente duas:

os hebreus já vinham com um melhor nível educacional, tinham noções de administração e contabilidade, sabiam mexer com comércio, falavam no mínimo dois - alguns três - idiomas, uma situação que não excluía as mulheres - as quais trabalhavam nos empreendimentos da família - coisa muito rara na época. Sem dúvida era a comunidade com melhor escolaridade média, mola propulsora para sua prosperidade.

Em cinqüenta anos, alguns judeus adentraram à chamada elite do Pará. É considerado um tempo relativamente curto para um povo migrado sem quaisquer raízes prévias aqui. Entre outros fatores, deveu-se às habilidades comerciais e à penetração social deles com relação à elite paraense previamente constituída. No entanto, até esse período, já estava chegando o Ciclo da Borracha, período de extrema prosperidade no estado.

Migração ordenada pelo Reino Unido
Com o começo do Ciclo da Borracha, Londres preocupou-se em preencher espaços vazios com grupos sociais de sua confiança: a primeira migração considerável de hebreus para a Amazônia deu-se em função da Inglaterra haver transportado boa parte da comunidade judaica de Gibraltar para próximo de onde hoje é o Colégio Santo Antônio, na área das Docas do Pará, porto de Belém.

Posteriormente, a Inglaterra transportou mais judeus da costa do Marrocos para cá afim de montar uma rede mercantil de estrutura produtora, financiadora e exportadora da borracha. Constituiu-se aí o que eles chamam de uma "Corrente Comercial Étnica" - por toda a Amazônia.

Nessa altura, predominou a migração de homens sozinhos, principalmente a partir dos treze anos de idade. Eles primeiro instalavam-se, pegavam funções simples, geralmente prosperavam e, caso atingissem uma condição de riqueza, geralmente voltavam ao Marrocos para escolher esposa e trazê-las para a Amazônia.

Alta propaganda da Belle Époque
os judeus foram uns dos responsáveis por disseminar no exterior a imagem de Belém e Manaus como relíquias perdidas na selva amazônica, onde vivia-se uma vida à imagem e semelhança da Europa. Imagem essa que atraia suas esposas e funcionários.

Quando suas mulheres casavam-se no Marrocos, compravam todo o enxoval em Casablanca ou na Europa, pensavam que viveriam no berço da Belém da Belle Époque, mas muitas faziam apenas uma rápida conexão: seguiam diretamente para os interiores. Nem tinham oportunidade de usar os ponposos trajes.

Com o advento do Ciclo da Borracha, a região continuou a receber migrantes judeus pobres, mesmo assim, os de desquate atuavam como aviadores, seringalistas, exportadores de látex e até financistas.

Donos de regatões
Eu não sabia, mas ser dono de regatão (barco que circulava pelo interior da Amazônia comercializando produtos do mundo dito civilizado em troca de produtos florestais) era, apesar de uma posição que denotava posses materiais, algo que denegria a imagem da pessoa, pela figura de explorador sobre populações da floresta. Vários judeus também destacaram-se nessa modalidade de comércio.

A Igreja e os judeus
A Igreja católica já retirou do sermão da sexta-feira da paixão a parte em que pedia à Divindade que fornecesse perdão aos judeus pelo simples fato de serem judeus.

Entre 1873 e 1879, o Tribunal do Santo Ofício esteve em Belém, não há registros oficiais, mas provavelmente lideu com hebreus.

Opção à miscigenação
Os judeus marroquinos eram morenos, apesar de não serem euro-descendentes, não chegavam a ser negros, nem índios ou cablocos: por isso eram considerados brancos e eram vistos como uma opção para os euro-descendentes evitarem a miscinegação. Esse foi uma das formas de penetrar a sociedade já construída na região.

Banco pró-judeu
No Rio Grande do Sul, cataloga-se até a fundação de um banco cuja a finalidade era auxiliar judeus, principalmente os recém-imigrados, no sentido de fornecer crédito a baixos juros para auxiliá-los a abrir pequenos empreendimentos. A solidariedade foi um dos fatores determinantes para o crescimento dessa comunidade.

Climatização
Questão ambiental: caso repararmos, os judeus da Amazônia são quase todos sefaradins - originários do sul da Europa e do norte da África. Já no do sul/sudeste do Brasil, existe uma presença mais forte dos azkenazin, originários do norte da Europa, Polónia, Rússia, etc. Foi feita uma comparação de que foi mais ideal a adaptação para cada origem.

Feira hebraica em novembro
O Centro Israelita do Pará está comemorando os 60 anos da fundação do Estado de Israel, uma comemoração que se arrasta ao longo do ano. Como parte das comemorações, em novembro haverá uma feira no CENTUR (Fundação Tancredo Neves), provavelmente expondo história, gastronomia, demografia e muitos outros aspectos da comunidade judaica mundial e amazônica.

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